Pronto, o impulso e a vontade de interferir o texto passou. Não sabia ao certo se deveria terminar a minha última memória postada, e até agora, a primeira. Decidi, vou terminar. Preciso me acostumar a terminar tudo o que faço, essa história de deixar tudo pela metade não faz o meu tipo. Aliás, não combina com o meu horóscopo! Acho que pelo fato de os planetas não estarem alinhados e o meu cósmo não fluir. De fato, por causa disso, me ocorrem ímpetos esporádicos. Espero que todos entendam que esse papo místico foi apenas para descontrair.
Como dizia, ela me adicionou no MSN. Passamos a semana inteira conversando. Descobrimos que fazíamos Inglês no mesmo horário, mas nunca nos vimos. Ela estudava em um colégio que era há um quarteirão do meu, e claro, gostávamos de algumas mesmas coisas. Dentre elas, Jack Johnson. O amor dela era bem maior, mas ainda assim gostávamos juntos.
O namoro dela estava realmente balançado, e pelo o que ela dizia, ele era um tanto quanto estressado. Uma vez, incentivada por mim, ela foi conversar com ele sobre o que estava acontecendo. Não é que o namorado tirou a aliança do dedo e a jogou? '
Se você não está satisfeita, então termina!'. Mas ainda assim, nunca a incentivei à terminar o namoro. De fato, eu dava conselhos sobre o que ela poderia fazer, mas em nenhum deles estava explícito ou implícito a minha vontade de ela terminar e ficar comigo.
Engraçado como em apenas uma semana ficamos dependentes um do outro. Quando não nós falávamos batia uma saudade, e era recíproco. Enfim, nessa semana eu contei sobre os meus relacionamentos espontâneos. Um pouco da minha vida pessoal. Acho que não preciso detalhar muito nessa parte, aliás não tem muito o que detalhar. Ela dizia coisas como '
Impossível você nunca ter namorado' ou '
Como ninguém nunca gostou de você?' ou coisas que me deixavam encucado. Eu estava pirando ou ela tinha um interesse por mim? Dizia que ia na minha escola às vezes e me procurava, como não achava, acabava indo embora.
Então nos víamos nos finais de semana, quando tinha festa, e as segundas e quartas no Inglês.
Estava absurdamente carente nessa época. E a Pitél estava preenchendo essa carência. Não com
sentimentos, ainda. Mas com gestos. Antes de eu pensar em ligar, ela me ligava. Antes de eu dar oi no MSN, ela dava. Gestos simples assim, que faziam-me sentir especial.
Um dia quando cheguei no
Cultura¹, ela estava, como de costume, no sofá debaixo da escada. Sentei ao seu lado e vi que estava tristinha. Olhava apenas pra baixo, quando dei oi, eu vi os olhos sujos de lágrimas. Perguntei o que tinha acontecido e ela respondeu '
Nada'. Ofereci um pitulito e ela recusou, agradeceu, mas disse que não queria agora. Quando fui colocar em sua mão, para ela comer depois, notei a falta de uma coisa: a aliança prateada. Uma sensação de felicidade me arrancou alguns sorrisos, ela não viu. Dei um abraço de urso e perguntei se ele tinha terminado. '
Não, fui eu que terminei'.
¹ Cultura Inglesa.